Fim das planilhas engessadas: Reforma tributária exige choque de gestão em obras públicas

Foto: Divulgação/Sinduscon-DF
TAMANHO DA FONTE: A+ A A-

Advogados Ricardo Bastos e Isabela Ciarline alertaram empresários durante fórum do Sinduscon-DF

Comunicação Sinduscon-DF

O setor de obras públicas e de serviços prestados para terceiros precisará abandonar qualquer traço de amadorismo e se preparar para um verdadeiro choque de gestão com a chegada da reforma tributária. Esse foi o alerta da última palestra do Fórum Reforma Tributária: Impactos na Construção Civil, realizado na quinta-feira (30/4), pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), no auditório da entidade.

• Assista! Do Sonho ao Concreto

• Veja mais notícias no site do Sinduscon-DF

• Confira as áreas de atuação do Sinduscon-DF

A palestra, ministrada por especialistas da RDC Inteligência Tributária, destrinchou os enormes perigos ocultos nos contratos governamentais e no tradicional cálculo do Benefícios e Despesas Indiretas (BDI). O recado dos especialistas no palco foi direto ao empresariado: quem acreditar na promessa do governo federal de que haverá simplificação fiscal vai amargar prejuízos irreversíveis.

– Nova tributação de imóveis e renda exige socorro profissional, alertam advogados no Sinduscon-DF

– “Ou as empresas viram máquina de organização ou viram máquina de prejuízo”, diz consultora

– “Período de transição pode levar empresa para liderança ou fracasso”, diz consultor do Senado

– Empresas devem passar por “mudanças estruturais” após reforma tributária, diz Sinduscon-DF

– Reforma Tributária: Fórum do Sinduscon-DF debate impactos da legislação na construção civil

O advogado e consultor tributário Ricardo Bastos abriu as discussões desmistificando o principal discurso político sobre o novo sistema de cobrança de impostos no país. “A reforma tributária foi capitaneada pelo Estado e veio, sim, para aumentar a arrecadação”, disse ele, destacando que as profundas alterações vão exigir muito mais suor corporativo. “Não vai simplificar, não. A reforma não veio para nos ajudar”, alertou o especialista.

Confira, abaixo, a galeria de fotos

55241288616_5439f5c699_k
55240380962_3e3ad1e6f6_k_trat
55241287941_bfe63f2009_k_trat
55241428668_e3dbce80b2_k_trat
55241527399_0926dfde44_k
55241429628_020732abe6_k
55241428963_bdf3d3e526_k
55240380497_105f563b0a_k
55240379397_7afc2ed0d8_k
55240379122_af1a2dece8_k
55241288911_3eb37d33d4_k
55241289046_f0f8308380_k
55241289081_5dba47d37d_k
55240379152_5ffb17ef71_k
55241426883_7c3e144c40_k
55241426958_30a093b4f5_k
55241427138_5404f4c81d_k
55241427328_5e3d28a605_k
55241427598_dfd07675da_k
55241429653_36faa4765f_k
55241429683_9e6b889adb_k
55241429863_6e453018c5_k
55241429893_00d5b9d5a8_k
55241429928_fdf84c5d34_k
55241524204_b2cdce8b12_k
55241524539_78c108aea3_k
55241524664_ef334d19b0_k
55241525484_1c0ec53cff_k
55241525909_2a86e2d607_k
55241525944_36f7eab77b_k
55241526289_8838946a11_k
55240381817_ce41f05bae_k
55240382187_2c4df55ee5_k
55241287346_036ddb11a5_k
55241287606_0d14a2f8d9_k
55241288756_aa5136fdab_k
55241429473_d77143ef7b_k
55241526604_3f1d350daa_k
55241527774_9b461a4016_k
55241688820_041cd46fc5_k
previous arrow
next arrow
55241288616_5439f5c699_k
55240380962_3e3ad1e6f6_k_trat
55241287941_bfe63f2009_k_trat
55241428668_e3dbce80b2_k_trat
55241527399_0926dfde44_k
55241429628_020732abe6_k
55241428963_bdf3d3e526_k
55240380497_105f563b0a_k
55240379397_7afc2ed0d8_k
55240379122_af1a2dece8_k
55241288911_3eb37d33d4_k
55241289046_f0f8308380_k
55241289081_5dba47d37d_k
55240379152_5ffb17ef71_k
55241426883_7c3e144c40_k
55241426958_30a093b4f5_k
55241427138_5404f4c81d_k
55241427328_5e3d28a605_k
55241427598_dfd07675da_k
55241429653_36faa4765f_k
55241429683_9e6b889adb_k
55241429863_6e453018c5_k
55241429893_00d5b9d5a8_k
55241429928_fdf84c5d34_k
55241524204_b2cdce8b12_k
55241524539_78c108aea3_k
55241524664_ef334d19b0_k
55241525484_1c0ec53cff_k
55241525909_2a86e2d607_k
55241525944_36f7eab77b_k
55241526289_8838946a11_k
55240381817_ce41f05bae_k
55240382187_2c4df55ee5_k
55241287346_036ddb11a5_k
55241287606_0d14a2f8d9_k
55241288756_aa5136fdab_k
55241429473_d77143ef7b_k
55241526604_3f1d350daa_k
55241527774_9b461a4016_k
55241688820_041cd46fc5_k
previous arrow
next arrow

Bastos focou grande parte da sua explicação técnica no impacto brutal que os novos tributos sobre o consumo (IBS e CBS) terão na complexa formação de preços e no famoso BDI, uma ferramenta historicamente vigiada com lupa pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Ele explicou que a reforma muda radicalmente o atual cenário porque a tributação agora será cobrada apenas sobre o valor adicionado, alterando de vez o peso financeiro dos materiais e dos serviços dentro das planilhas. “Nós temos um custo tributário novo”, observou o palestrante, ressaltando que o cálculo precisará ser refeito praticamente do zero para evitar as temidas glosas dos órgãos de controle.

Para conseguir abater impostos da base de cálculo e não pagar a conta bilionária duas vezes, o palestrante avisou que a extrema organização contábil será pura questão de sobrevivência diária, exigindo que cada prego e cada saco de cimento estejam perfeitamente alocados e provados nos centros de custo. Esse rigor absoluto na documentação interna das companhias será a única defesa viável das construtoras contra o natural apetite arrecadatório dos auditores fiscais. Para justificar todo esse cuidado extra na operação das empresas, Bastos afirmou: “O Fisco não gosta disso. Na dúvida, o que que a Fazenda vai fazer? Tributar”.

A advogada especialista Isabela Ciarline assumiu a palavra na sequência para tratar do complexo e delicado período de transição entre o modelo antigo e o novo, garantindo logo de partida aos executivos que “não há uma receita de bolo” pronta que sirva magicamente para salvar todas as construtoras. Ela explicou detalhadamente que a difícil escolha estratégica entre permanecer no Regime Especial de Tributação (RET) ou migrar para o novo sistema de débitos e créditos do IVA dependerá inteiramente do perfil de cada obra. Segundo a avaliação da profissional, o sucesso de caixa exigirá colocar sempre “na ponta do lápis as particularidades de cada empreendimento”.

Veja, a seguir, o vídeo do evento

Outro ponto de forte tensão abordado por Isabela durante a palestra foi a obrigatoriedade do reequilíbrio econômico-financeiro dos gigantescos contratos de obras públicas que já estão assinados e em pleno andamento no país. Ela buscou tranquilizar o setor produtivo ao lembrar que a nova lei complementar aprovada no Congresso prevê expressamente que a administração pública “deve revisar esse equilíbrio”, já que o evidente aumento de impostos afeta os custos diretos das construtoras. No entanto, ela fez o alerta de que o Estado só realizará os repasses devidos para as corporações que conseguirem comprovar matematicamente cada centavo de prejuízo.

A especialista também fez questão de chamar a atenção do auditório para a perigosa “responsabilidade solidária” que tomará conta do mercado a partir dos próximos anos. Segundo ela, o descontrole tributário de um parceiro da cadeia “vai acabar virando o problema de outro”. Como o valioso crédito do novo imposto só existirá na ponta se a etapa anterior da obra pagar corretamente a sua parte, a fiscalização rígida deixará de ser uma atividade exclusiva da Receita Federal. Ao apontar o fim do espaço para fornecedores que operam na informalidade, Isabela projetou com firmeza que “os consumidores vão começar a ser os fiscais desses fornecedores”.

Para blindar ativamente as grandes empresas contra parceiros terceirizados irregulares que podem destruir o fluxo de caixa das construtoras do dia para a noite, a advogada sugeriu a adoção imediata de duras travas jurídicas e processuais. Ela orientou as diretorias a incluírem penalidades financeiras pesadas nos novos contratos com terceiros e recomendou até mesmo forçar o uso do pagamento dividido de forma automática no banco para garantir na marra que o imposto do fornecedor seja efetivamente recolhido. A advogada ainda pediu urgência total na recuperação administrativa de créditos antigos de PIS e Cofins antes da virada definitiva do sistema.

O vice-presidente de Obras e Infraestrutura do Sinduscon-DF, Pedro Henrique La Rocque, mediador da mesa, expôs a grande aflição prática que assombra os empresários do segmento da construção pesada. O executivo questionou abertamente como ficará a tão desejada segurança jurídica dos atuais contratos públicos, já que hoje as construtoras operam tranquilamente com alíquotas fixas dentro do BDI e passarão a lidar repentinamente com imprevisíveis parcelas variáveis de impostos. O dirigente sindical demonstrou intensa preocupação corporativa com o altíssimo risco de os gestores públicos e os políticos se recusarem a repor as enormes perdas de caixa no futuro.

O especialista em contabilidade e auditoria Hélio Ribeiro respondeu à importante provocação do mediador concordando com a extrema gravidade do cenário econômico e fazendo duras críticas ao discurso otimista mantido pelo governo federal. Ele alertou os empresários que os contratos bilionários de longo prazo serão inevitavelmente castigados pelo rápido descasamento de preços e de resultados. Ribeiro aconselhou as construtoras a refazerem imediatamente todos os seus custos indiretos e a prepararem robustas memórias de cálculo para o futuro e longo embate com o poder público.

Para encerrar de forma enfática as densas discussões técnicas que marcaram o fórum no sindicato brasiliense, Ribeiro deixou uma mensagem pragmática de sobrevivência empresarial a todos os gestores. Ele reforçou ao longo de sua fala final que a complexa revolução legislativa desenhada no Congresso Nacional exigirá de agora em diante uma forte e profunda integração entre as atividades dos canteiros de obras, a contabilidade e o departamento financeiro das companhias. “A reforma tributária precisa funcionar no canteiro de obra, e não apenas na norma”, disse.

Patrocínio

O fórum Reforma Tributária: Impactos na Construção Civil tem o patrocínio dos seguintes escritórios:

– Noryon Soluções Corporativas

– Trindade, Camara, Retes, Barbosa & Roriz Advogados Associados

 – Michiles Tavares Advocacia

– RDC Inteligência Estratégica

Acompanhe o Sinduscon-DF nas mídias sociais

> Instagram

> Facebook

> Linkedin

> X

> Flickr

> Youtube