Setor da construção civil cobra da Neoenergia soluções em obras do Distrito Federal

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Durante reunião, presidente do Sinduscon-DF deu boas-vindas a novo diretor-presidente da empresa, mas fez cobranças ao lado da Ademi-DF

Comunicação Sinduscon-DF

Em reunião na sede do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), representantes do setor apresentaram lista de entraves operacionais que devem ser solucionados pela Neoenergia Brasília. Entre os principais problemas elencados estão o atraso na aprovação de projetos técnicos, a excessiva lentidão para a execução de conexões provisórias de canteiros de obras, a demora na liberação de ligações definitivas para a concessão do Habite-se, alterações unilaterais nas normas técnicas de subestações, além de graves falhas sistêmicas no faturamento e na compensação de créditos de energia solar fotovoltaica (Geração Distribuída).

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O encontro foi realizado pelo Sinduscon-DF, em parceria com a Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF). Juntas, as duas entidades representam cerca de 80% do mercado imobiliário vertical da capital federal. Os líderes empresariais destacaram que as demandas do setor não configuram privilégios corporativos, mas sim um apelo urgente para destravar construções habitacionais e equipamentos urbanos importantes para a população, como creches, escolas e hospitais, afetados por atrasos injustificados da distribuidora.

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A lentidão na ligação provisória de canteiros passou de prazo histórico de poucos dias para um intervalo de seis a oito meses. Essa demora força as construtoras a alugarem geradores de combustível por longos períodos para manter os trabalhos ativos, acarretando severos prejuízos. Presidente do Sinduscon-DF, Adalberto Cleber Valadão Júnior criticou essa ineficiência operacional em demandas de baixa complexidade técnica. “Hoje, o normal e natural é a gente ter que ficar seis ou sete meses com um gerador na obra porque não consegue fazer uma ligação provisória”, lamentou.

Habite-se

Outra grave queixa recai sobre as ligações definitivas e a liberação de energia para a emissão do Habite-se. Quando o empreendimento necessita de uma estação transformadora (subestação), os trâmites burocráticos estendem-se por até dois anos. O setor denuncia que a concessionária extinguiu o poder de decisão dos interlocutores locais para solucionar casos urgentes. Valadão Júnior cobrou resolutividade para resolver esses entraves críticos. “Nos parece que falta uma certa autonomia para a pessoa que cuida desses casos mais extremos”, observou.

Soma-se a esse cenário a tentativa de impor uma nova norma de padronização. Segundo as construtoras, as novas exigências técnicas obrigariam cerca de 90% dos futuros prédios do DF a instalarem subestações internas. Em uma região onde o custo do terreno é altíssimo, a perda de área útil inviabiliza financeiramente os empreendimentos, prejudicando especialmente os programas de habitação de interesse social. Há também insatisfação com a centralização dos projetos de rede na distribuidora, o que eliminou a atuação de projetistas terceirizados credenciados e sobrecarregou a análise técnica interna.

No segmento de energia fotovoltaica, a migração para um novo sistema comercial pela distribuidora paralisou o faturamento de Geração Distribuída (GD). Desde maio, usinas de energia solar enfrentam a falta de faturas físicas, sumiço de créditos e falhas em rateios de consórcios, acumulando perdas milionárias. Integradores do setor relatam que o atendimento presencial para grandes contas foi recusado nas agências, deixando as empresas sem canais transparentes de acompanhamento.

Diálogo

O diretor-presidente da Neoenergia Brasília, André Santos, demonstrou abertura e anunciou um plano de investimentos de R$ 3,1 bilhões no DF para o período de 2026 a 2030, voltado à melhoria das redes de distribuição. O executivo asseverou que a nova gestão focará na reengenharia dos processos operacionais, mas frisou que a aproximação e o diálogo contínuo são as prioridades iniciais. “A gente veio aqui para ouvir. Vocês são clientes importantes da Neoenergia de Brasília, motivo pelo qual eu fiz questão de vir acompanhado de nossa equipe de relacionamento”, afirmou.

Sobre a desestabilização nas contas de energia solar, Santos defendeu a migração técnica como um passo necessário para um ambiente tecnológico mais robusto no futuro. “Esse sistema é uma base de uma plataforma muito melhor do que a gente utilizava no passado. Então, ninguém fez a mudança para piorar, a gente vai fazer para melhorar”, disse.

Contudo, ele reconheceu a complexidade de restabelecer o faturamento de GD e solicitou um prazo para a normalização. “O tema de GD é um tema desafiador para a gente. Agora, de GD, a gente vai precisar ainda de algumas semanas para a gente estabilizar”, ponderou. Santos também assegurou que trabalhará para reduzir a rotatividade dos interlocutores, garantindo estabilidade no atendimento. “A gente está aqui para trabalhar muito forte, com muita intensidade. Trazer essa estabilidade para a equipe também é o meu objetivo”, afirmou.

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