Iniciativa focada em transformação digital e qualidade inicia sua 17ª etapa em julho
Comunicação Sinduscon-DF
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF) apresentou, nesta sexta-feira (3/7), as atualizações do Projeto Indicadores do Concreto, que inicia sua 17ª etapa este mês. As principais inovações apresentadas incluem o lançamento de um aplicativo de celular para coleta de dados em tempo real, a implementação de painéis interativos no Power BI para visualização de resultados e a introdução do FCK estimado, indicador que verifica se a resistência do concreto está de acordo com o projetado, assegurando estatisticamente que 95% de todo o material utilizado na obra seja igual ou mais forte do que o especificado no projeto. A iniciativa, uma das mais longevas do setor no Brasil, busca consolidar a transformação digital e elevar os padrões de controle tecnológico nos canteiros de obras da capital.
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Criado e consolidado de 2008 a 2010, o projeto surgiu para organizar o cenário de atrasos e problemas logísticos gerados pelo crescimento acelerado do setor. O coordenador do projeto e vice-presidente do Sinduscon-DF, o engenheiro civil Renato Salles Cortopassi, relembrou que o registro de dados mudou a relação com os fornecedores. “A partir do registro e análise dos dados, as empresas passaram a ter ganhos no momento de negociar o produto com o fornecedor”, disse.
Com o tempo, o foco migrou da produtividade para a qualidade e introduziu o monitoramento do desvio padrão para avaliar o controle de produção das concreteiras. “Se o fornecedor apresenta baixo desvio padrão, há maior controle na fabricação do concreto e maior probabilidade de a resistência do concreto ficar de acordo com o que foi definido no projeto”, explica o vice-presidente.
Segurança e qualidade
Para monitorar a qualidade da produção das concreteiras e o controle tecnológico nos canteiros, o FCK estimado na 17ª etapa permitirá uma visão estatística global da obra, evitando preocupações desnecessárias com resultados isolados. Segundo Renato, essa métrica funciona como uma garantia de segurança e qualidade para a estrutura de um edifício. Na prática, representa um valor de resistência que o concreto deve atingir, assegurando estatisticamente que 95% de todo o material utilizado na obra seja igual ou mais forte do que o especificado no projeto
No projeto do Sinduscon-DF, o chamado FCK estimado utiliza uma fórmula matemática que combina a média dos resultados dos testes com a regularidade do fornecedor (o desvio padrão). Dessa forma, permite confirmar se a construção está segura de forma global, sem que o engenheiro precise se preocupar excessivamente com um único resultado isolado que tenha ficado levemente abaixo da meta. Assim, se um projeto exige um FCK de 30, entende-se que apenas uma margem mínima de 5% dos resultados pode ficar abaixo desse valor, o que traz tranquilidade técnica e comprova a eficiência do controle de produção
Outro ponto de destaque foi o incentivo ao ensaio do Módulo de Elasticidade, essencial para edifícios altos a fim de evitar trincas e deformações excessivas. Renato alertou que o uso apenas da fórmula da norma pode ser impreciso. “Se for calculado o módulo de acordo com a fórmula da norma, e ele não estiver batendo, a sua estrutura vai deformar mais do que o calculado”, alertou. “Por isso, encorajo a fazerem o ensaio de módulo de elasticidade e passar os resultados aos calculistas estruturais”, acrescentou.
Transformação digital
A transição para o digital facilitará a atuação da força de trabalho em canteiros de obras. Os profissionais poderão lançar dados de horários, volume e resultados de laboratório diretamente pelo celular. O sistema enviará notificações automáticas após 28 dias para o preenchimento dos resultados de resistência. Todos esses dados alimentarão instantaneamente os painéis de Power BI, que oferecem visões públicas do setor e visões privadas para cada canteiro comparar seu desempenho com a média do mercado.
O vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e um dos fundadores do projeto, Dionyzio Antonio Martins Klavdianos, celebrou o avanço tecnológico. “É um dos projetos mais longevos e resilientes organizados por uma entidade do Brasil”, afirmou, antes de ressaltar que os dados são o caminho para a eficiência. “Com bons indicadores, é possível evoluir a qualidade do produto e melhorar a eficiência do sistema”, asseverou.
O projeto mantém a parceria estratégica com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), responsável pelo patrocínio que garante a continuidade das atividades, e com o Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil. O gerente de Serviços Tecnológicos, João Marcelo Feijão, destacou a relevância do projeto Indicadores do Concreto. “É importantíssimo a gente ter dados que gerem indicadores para que possam ser feitas as melhorias necessárias nos processos”, acentuou.
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