Entrevista – Simulador contribui para a capacitação dos gestores de obras

Entrevista – Simulador contribui para a capacitação dos gestores de obras
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Agência CBIC

O ''Projeto Obra Segura – Simulador Gamificado de Realidade Virtual para Capacitação de Gestores de Obras em Segurança do Trabalho'', da Universidade Estadual de Londrina (UEL), de Joinville/SC, é uma das inovações do 23º Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), 2º lugar na Categoria Pesquisa Acadêmica.

Para que todos tenham a oportunidade de conhecer mais sobre as inovações premiadas e examinar suas potencialidades, a Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (Comat) da CBIC tem divulgado semanalmente entrevistas com os representantes dos projetos vencedores desta edição, que poderão ser conferidas na Agência CBIC e no CBIC Hoje+.

A conversa de hoje é com Arthur Felipe Echs Lucena, professor e gestor de Recursos Educacionais do UEL.

Em entrevista exclusiva ao CBIC Hoje+, Lucena destacou os benefícios do simulador para a capacitação dos gestores das obras e o seu potencial para impactar as atividades no setor da construção civil.

Confira, com exclusividade, os trechos a seguir:

CBIC Hoje+: Qual o principal benefício da inovação para a indústria da construção?

Arthur Felipe Echs Lucena: Atualmente, os índices de acidentes e fatalidades devido a falhas na gestão da segurança de canteiros de obras são muito elevados. O Brasil é um dos líderes mundiais na ocorrência de acidentes ocupacionais e a construção civil é uma das maiores responsáveis.

Nesse contexto, a inovação proposta busca contribuir com a capacitação dos gestores das obras, entendidos como protagonistas nas tomadas de decisões que buscam estabelecer um ambiente de trabalho seguro. Ao utilizar a tecnologia da realidade virtual e abordagem de jogos para isso, estabelece-se um ambiente altamente imersivo e engajador, em que o treinando pode aprender com o próprio erro, sem que sofra prejuízos reais (físicos) por conta dele.

C.H.: Qual foi a principal motivação em desenvolver seu projeto?

A.F.E.L.: O projeto foi desenvolvido como peça central do meu mestrado em Engenharia Civil na Universidade Estadual de Londrina. Quando se conduz pesquisas acadêmicas é muito importante que o pesquisador se identifique com o seu tema de pesquisa, haja vista que a caminhada é desafiadora. Eu sempre fui fã de tecnologias e sou apaixonado pela Educação. Nesse sentido, é fácil entender como encontrar uma maneira de capacitar (educar), por meio de uso de tecnologias, foi motivador para o desenvolvimento do projeto. Foi ainda mais gratificante entender o potencial que o recurso tem para impactar as atividades no setor da construção civil.

C.H.: Como você enxerga o futuro da sua inovação na indústria da construção?

A.F.E.L.: Ao longo das últimas décadas, vimos diversas tecnologias emergirem como grandes promessas para a humanidade. Algumas vingaram, outras não. A tecnologia da realidade virtual parece conquistar seu espaço na sociedade, ano após ano, de tal modo que muitos apostam que em cinco anos ela estará integrada em boa parte das nossas atividades cotidianas.

Nesse sentido, entendo que desenvolver recursos que utilizem a tecnologia é uma tendência e uma necessidade. A minha inovação é um pequeno passo, mas que, junto aos esforços de outros profissionais, pode contribuir para a digitalização do setor da construção civil, tornando-o mais eficiente e seguro.

C.H.: Qual o maior desafio para inovar, de forma sustentável, na indústria da construção no Brasil?

A.F.E.L.: Sem dúvidas, a resistência do setor às mudanças. A indústria da construção civil é bastante tradicionalista, de tal forma que não é incomum que, ao se tentar inovar, sejam ouvidos comentários como: “eu faço assim faz 30 anos e, antes de mim, meu pai e meu avô faziam assim também. Por que mudar agora?”. Esse ceticismo relacionado ao medo do desconhecido e à ideia preconcebida de que há um custo elevado em equipamentos certamente contribui para a falta de incentivo para pesquisas e inovações.

C.H.: O que significa receber o Prêmio CBIC de Inovação e Responsabilidade?

A.F.E.L.: Um grande desafio no desenvolvimento de pesquisas acadêmicas diz respeito a não permitir que elas se tornem “pesquisas de fundo de gaveta”, isto é, estudos que são arquivados e nunca mais explorados após a finalização da pesquisa. Receber o Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade, amplamente reconhecido como uma importante e tradicional premiação do setor, evidencia a relevância da pesquisa acadêmica desenvolvida, para que a ideia defendida por ela continue a ser debatida e aperfeiçoada pela comunidade acadêmica. Ademais, o reconhecimento do trabalho, por meio da premiação, incentiva e motiva para continuar inovando e procurando soluções para os desafios que enfrentamos no setor.

Os interessados em rever a cerimônia de premiação, com apresentação da Orquestra Sinfônica de Brasília, podem acessar o 

Canal da CBIC no YouTube
 e a plataforma do 92º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC).

A 23ª Edição do Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade integra o projeto ‘Inovação e Tecnologia’, realizado pela CBIC, por meio da sua Comat, com a correalização do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional).

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