A W-3

A W-3
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Dionyzio Klavdianos
Presidente do Sinduscon-DF

Muita coincidência, tinha acabado de tirar a foto que ilustra o post e a enviaria para o Izidio quando escuto a buzina, vou olhar e era o próprio passando de carro: “Cadê a máscara?!”, gesticulando em minha direção…

Percebi que estava sem quando entrei na ótica e me deparei com a vendedora usando. Voltava para buscar.

Me chamou a atenção a extensão do pavimento nivelado… Nada de buraco ou saliência a incomodar o transeunte que por lá caminhasse.

Foi na gestão dele que a reforma começou.

No livro Os Argonautas do Cerrado, que a Comunidade Grega de Brasília lançou em memória e à história dos imigrantes gregos da capital, minha mãe conta que foi na W-3, então a via mais badalada da cidade, que conheceu meu pai…

“Eu trabalhava numa casa de família, próxima à W-3, que tinha acabado de ser construída, aquela avenida grande, bonita, cheia de lojas se instalando… eu e mais duas amigas passeávamos, então escutamos… Ei, mochamocha… com aquele sotaque estranho, difícil de compreender, minhas amigas pensaram que era com elas, mas ele confirmou, não, é com voche que quero falar…

O processo de renascimento de uma paisagem urbana é parecido com o de um reflorestamento. Necessita de proteção e cuidado constante anos a fio para que a aridez provocada pelo descaso e mau trato dê lugar ao bioma original.

Não é fácil. Izidio me conta que já há lojistas rasgando o piso para a passagem de tubulação.

Difícil ainda pensar numa “floresta” quando olhamos para esta foto, todavia, vamos crer que a nova calçada signifique para a W-3, o que a muvuca, a mistura rica de sementes lançada no solo degradado, representa para a floresta, a possibilidade de renascimento de plantas e árvores diversas…

Num cenário rico, seguro e acolhedor, bichos e casais de namorados voltam a passear.

 

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